Ready Player One e a sua deliciosa overdose de cultura pop

Uma das obras de ficção científica mais amada e cultuada nos últimos tempos ganha uma adaptação grandiosa por Steven Spielberg.


Ruan Elson
@elsruan
Ready Player One e a sua deliciosa overdose...

Ready Player One é um dos livros de ficção científica mais amado e cultuado nos últimos tempos e, agora, passa a ser também um dos filmes mais reverenciados pelos amantes de sci-fi. A obra de Ernest Cline foi adaptada para os cinemas em uma superprodução do diretor Steven Spielberg.

O ano é 2044 e a Terra não é mais a mesma. Fome, guerras e desemprego empurraram a humanidade para um estado de apatia nunca antes visto. Wade Watts é mais um dos que escapa da desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao OASIS – uma utopia virtual global que permite aos usuários ser o que quiserem; um lugar onde se pode viver e se apaixonar em qualquer um dos mundos inspirados nos filmes, videogames e cultura pop dos anos 1980. Mas a possibilidade de existir em outra realidade não é o único atrativo do OASIS; o falecido James Halliday, bilionário e criador do jogo, escondeu em algum lugar desse imenso playground uma série de Easter Eggs, e premiará com sua enorme fortuna – e poder – aquele que conseguir desvendá-los. E Wade acabou de encontrar o primeiro deles.

Essa é a premissa da obra que ganhou vida nas telonas. Há 3 anos trabalhando nesse projeto, Spielberg demonstrou toda o seu sentimento pela produção durante a première mundial do filme no Festival de Filmes da SXSW 2018, no Paramount Theater em Austin, no Texas. “Eu não fiz um simples filme que levou 3 anos pra ficar pronto, eu fiz um verdadeiro movie. É um aventura sobre games e cultura pop, para divertir gamers e não-gamers”.

Um Spielberg na sua melhor forma, com a linguagem da internet atual mas capaz de entreter quem viu ET no cinema e também os seus filhos e netos. O filme transita entre o real e o virtual infinita vezes, mas a mágica de Spielberg nos conduz pelo confusa viagem com maestria.

A turma de jovens heróis, o vilão abobado, a porradaria visual, o amor em sua mais pura forma, estão todos lá. Impossível não lembrar dos filmes de Spielberg. Ready Player One é também uma auto-homenagem cheia de referências a muitos deles e não perde a chance de consagrar outras gênios como Zemeckis e o seu DeLorean de De volta para o Futuro e Kubrick, cujo filme não pode ser citado para não gerar um spoiler claro demais – a pedido do próprio diretor.

São tantas referências a personagens do pop, games, música e filmografia Spielberguiana, que facilmente um expectador menos familiar poderia se perder no meio de tantos easter eggs, mas o incrível roteiro, adaptado por Zak Penn, e os efeitos especiais épicos não permitem que isso aconteça. É diversão pura, uma experiência em realidade virtual sem realidade virtual que deu certo, perfeita para ser assistida numa sala IMAX.

A trilha sonora, aliás, é um capítulo a parte, ela transita por várias décadas e culmina numa dança de salão flutuante com o eletrônico de New Order.

A perfomance do casal principal é fabulosa, Olivia Cook, da série Bates Motel, é impecável como Art3mis. Tye Sheridan, de X-Men, é encantador como o herói Parzival. Os demais integrantes do elenco são revelados aos poucos, primeiro no mundo virtual e depois no mundo real descrito no livro. Mais um artifício genial para se apaixonar por cada herói e anti-herói.

Spielberg ressaltou no final que ele não queria fazer somente um filme de ação, mas um filme de personagens. É por esse motivo que temos muito caldo para uma sequência. Que os fãs de Parzival, Art3mis e Aechs, que seguramente circularão como cosplayers pelas feiras de quadrinhos espalhadas pelo mundo este ano, nos confirmem e impulsionem nesta direção.

O filme estreou nos cinemas em 29 de Março e ainda continua em cartaz.

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