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Como os publicitários podem contribuir para um mundo melhor

Uma industria tão competitiva pode agir de forma coletiva, criando um amanhã pensando nas outras pessoas.


Ruan Elson
@elsruan
Como os publicitários podem contribuir para...

Os anseios de um jovem que pretende seguir carreira na publicidade são quase sempre parecidos: conseguir emprego em uma importante agência, ter seu trabalho reconhecido e conquistar prêmios. Mas será que isso é suficiente para fazer com que eles possam ter a consciência tranquila e se sentirem, de fato, felizes?

Depois de trabalhar na área de planejamento em algumas agências, André Chaves, então com 24 anos, resolveu dar um tempo e viajar para Nova York para ter novas percepções do mercado. Lá, percebeu que a crise profissional pela qual passava também acometia líderes da indústria publicitária. André relata que conversava com vários líderes e eles estavam tristes com a realidade, não estavam felizes por estarem só respondendo e-mails ali na liderança, ou apenas se encontrando em festivais, mas não criando algo para mudar..

A frustração que André e esses profissionais de agências compartilhavam encontravam-se em alguns pontos, seja no fator geracional – os millennials buscam propósito naquilo que fazem e, portanto, não permanecem durante muito tempo em um mesmo emprego que não traz desafios – e o estranhamento de estar inserido em uma cultura que ainda encontra resquícios no universo publicitário: perseguir prêmios.

Diante da percepção de que pairava um desconforto em comum entre muitos publicitários, André, ainda em Nova York, teve a ideia de criar uma rede de líderes que tivesse vontade de trabalhar em conjunto em torno de projetos de impacto social, uma forma de aliar seu trabalho a iniciativas e projetos que possam, de alguma maneira, contribuir com a evolução da comunicação e da sociedade.

Disparou dezenas de e-mails para profissionais com cargos importantes em agências grandes, alguns foram respondidos, mas vários outros foram ignorados: eu não conhecia ninguém e ninguém sabia quem eu era; nunca ganhei Leão em Cannes, não fui Young Lion. Mesmo dentre as respostas, havia gente que admitiu não estar envolvida com projetos sociais: não fazia sentido trazer a pessoa somente porque era famosa; tinha de ter esse senso de o que estou mudando e o que posso fazer. Do Brasil, André Kassu, sócio e diretor de criação da CP+B Brasil, Diego Machado, diretor de criação da AKQA, e Roberto Martini, CEO da Flagcx, estão entre os brasileiros que toparam participar do projeto. Ali nascia o Papel & Caneta.

Desde o início André quis preservar seu papel de conector e tomou o cuidado de não tornar-se um caso em que o idealizador se sobressai mais do que o projeto em si. Tanto é que no primeiro encontro presencial do grupo ele não esteve presente. Para que seja viável, os colaboradores limpam suas agendas quatro meses antes da realização de um projeto.

Durante um evento de comunicação, em 2017, André contou sua experiência no painel: “Uma indústria tão competitiva pode agir de forma coletiva?” No painel ele convidou os profissionais para uma reflexão: Será que falta realmente tempo para que possamos pensar em ideias que possam melhorar a vida das pessoas e da nossa própria indústria ou o que falta é espírito de coletividade e união?

Além de mostrar os exemplos do Papel & Caneta, o profissional também pontuou que, em um cenário que caminha cada dia mais para uma estrutura colaborativa, o trabalho autocentrado, a competição excessiva e a individualidade serão elementos danosos para a vitalidade das agências e de toda a indústria de comunicação.

É necessário que exista mais empatia e menos competitividade. Como criaremos um amanhã sem pensar nas outras pessoas?

Utilizando como exemplo o mais importante encontro global da indústria publicitária, ele questiona: “Acho Cannes uma ótima oportunidade de socialização. Os líderes se encontram, trocam impressões e informações sobre seu dia a dia e criam um espírito de coletividade. Mas o Festival dura apenas sete dias. O que os líderes estão fazendo nos demais dias do ano?”

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